Sobre os padrões de beleza (esses que não me encaixo)

A mais de um milhão de anos que vez ou outra me pego pensando seriamemente sobre isso,sobre beleza padrão. Ok, talvez eu tenha exagerado no tempo mas não no quanto penso nisso.

Não me encaixo neles. Não me encaixo a anos. Não me encaixo desde que descobri quais eram. Nunca me encaixei mas sempre fui teimosa, quase mula e desesperada por fazer parte do mundo dos bonitos por natureza (aquela natureza que te vendem as revistas e a tv, é claro). Nesse tempo, tentei ser como todo mundo mas sempre voltava pra casa com a sensação de que tinha algo errado (isso quando não voltava pra me trancar no banheiro e chorar). Foi dificil gostar do sapato da moda mas usar tênis durante muito tempo, por seus pés eram engraçados demais pros seus colegas. 

A adolescencia é dificil quando você tem que se encaixar, quando as pessoas dizem que sua cara e seu corpo não condizem, quando dizem isso de maneira “amigavel” por que afinal somos todos amigos. 

Lembrei de todas essas coisas essa semana, me olhando no espelho e me sentindo vitóriosa por ter superado o “não sou padrão” Pra alguém que ficou anos sem se encarar no espelho, hoje sou quase digna de parabéns. Mas lembrar de todas essas coisas continua a me deixar triste, nunca vou ser como aquela mocinha bonita da resvita de moda, ou com a curvelinea da capa da revista com moças nuas, porque, simplesmente quem inventou os padrões, resolveu que minha sobrancelha é grossa demais, que minha boca é muito grande, que os peitos são pequenos.No fundo,queria mesmo era  saber quem foi que inventou e se sabe o quanto de gente fica triste quando percebe que não se encaixa, com o quanto de gente se deixa apagar pra poder estar dentro.

Queria dizer pra minha eu de 10 anos atrás, que todo nosso esforço pra se encaixar só trouxe magoa, que quando o amiginho declamou “Tira a mascara que cobre o seu rosto”  pra gente, deveriamos ter dado ouvidos e sido a gente mesmo, que nós estavámos certas: nós não pertenciamos àquele lugar. Ma so mais importante é  que um dia vamos ser tão fodas pois descobriremos que nossa beleza é não seguir o padrão.

Sobre a autodestruição

É como se eu não aguentasse para saber o final, apenas porque sei que vou estragar tudo. São todas as vezes que inventei que estava olhando pra alguém, pois queria ficar brava por algum motivo, as vezes que soube que estava sendo irritante demais mas não podia parara, pois assim tudo seria mais facil, todas as coisas da lista do “não fazer” que fiz só pra tudo acabar antes.

O plano de auto sabotagem não tem fim, não é algo que eu consigo cancelar, preciso ligar pra central de atendimento e reclamar. Preciso parar de colocar todos esses tijolos de volta ao muro.

é como naquele episodio de Grey’s Anatomy : “Quer dizer, se a vida já é tão difícil, por que a gente fica arranjando mais problemas pra gente? Que necessidade é essa de apertar o botão de auto-destruição?”

[…]

“Talvez a gente goste da dor… Talvez sejamos feitos assim… Porque sem ela, sei lá… talvez não a gente não se sentisse real… Como é aquele ditado? “Por que eu continuo a me bater com um martelo?. É porque me sinto bem quando eu paro”.

É porque me sinto bem quando paro.

ps: estou lendo Garota Exemplar e ele me fez ter idéias

Sobre relacionamentos

quando o primeiro contato que você tem com o outro é feio você (eu) tem a tendência a acreditar que todos os outros serão assim. Pra não precisar se colar novamente acaba criando um muro. Toda a lembrança é um tijolo a mais no muro. Quando alguém se aproxima a tendência é criar empecilhos pra que este desista. E muitos desistem. Afinal eles não lêem mentes. Quando alguém permanece você começa a se questionar e então metade da parede se vai. E no fim você acaba percebendo que a frase “nós aceitamos o amor que pensamos merecer” faz sentido. Hoje, por mais que pense todo dia em qual empecilho criar penso em todas as coisas que devem ser comuns nos relacionamentos felizes que eu só descobri agora.